A confeiteira Juliana Kulpa, de 25 anos, foi surpreendida ao abrir a caixa de correio de seu apartamento e encontrar um bilhete deixado por uma vizinha, pedindo que ela deixasse de circular em casa vestindo apenas sutiã. “Somos evangélicos e meu marido trabalha em home office. Tenha decência”, dizia o recado. O episódio aconteceu em Osasco, na Grande São Paulo, há cerca de 20 dias, e tem gerado discussões — e revolta — nas redes sociais. Juliana mora há dois anos no mesmo prédio, mas mudou de unidade há dois meses. Ela contou que não tem o hábito de verificar a caixa de correio, mas resolveu olhar em uma manhã, antes de levar um dos filhos para a escola. “Minha reação inicial foi de choque, porque o bilhete não tinha assinatura. Isso me deixou assustada”, relatou à Universa.

Ela afirma que não costuma usar apenas sutiã dentro do imóvel e acredita que a vizinha a tenha visto usando um top com short de academia. “Imagino que tenha sido no dia em que saí para caminhar e depois limpei a casa”, explica.
Juliana suspeita que a autora do bilhete more em outro prédio. “A pessoa não se identificou. Eu não faço ideia de quem seja, porque as janelas do meu quarto e da lavanderia dão para a frente do prédio vizinho, que tem muitos apartamentos. Não dá para saber de onde veio. Tenho certeza de que é de lá, porque daqui ninguém teria como me ver”, diz.

Ela chegou a relatar o episódio às administrações dos dois condomínios. A síndica do prédio onde mora afirmou que nada poderia ser feito. “Ela deu risada. Disse que achou a situação absurda, mas que não podia agir, já que o bilhete era anônimo”, contou Juliana. A responsável pelo outro edifício também recomendou que ela seguisse sua vida normalmente.
A história viralizou depois que Juliana compartilhou o bilhete em um grupo do Facebook.
“Recebi 99,9% de mensagens de apoio. Só me incomodou um pouco a forma como algumas pessoas romantizaram. Teve gente achando que meu marido teria escrito o bilhete. Eu falava: ‘Meu marido nem estava aqui, o corpo é meu. Moro num prédio antigo, com janelas que expõem mais. Mas ainda assim, meu corpo é meu, ele não tem nada a ver com isso’”, desabafa.
Desde então, Juliana não recebeu mais recados e garante que não vai mudar seus hábitos. “Voltei a usar top normalmente. Não me senti constrangida, porque não estava fazendo nada de errado. Vou continuar sendo eu mesma”, afirma.
