Um grave acidente de trânsito ocorrido às 23h30 de sábado, 17 de maio, na rua Pedro Werner, região central da cidade, resultou na morte do jovem motociclista Maicon Gomes da Silva, 21 anos, morador do bairro São Luiz. A tragédia reacende o debate sobre a imprudência ao volante e o consumo de álcool, fatores que, de acordo com as autoridades, continuam presentes em boa parte dos sinistros fatais registrados no município.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Militar, Maicon seguia em sua motocicleta quando foi atingido por um Volkswagen Golf conduzido por um homem de 26 anos, que apresentava sinais claros de embriaguez. A força do impacto arremessou o motociclista contra um caminhão estacionado, também danificado na colisão. Testemunhas relatam que o automóvel trafegava em alta velocidade, hipótese reforçada pelos estilhaços espalhados por vários metros e pela deformação acentuada na dianteira do carro. A perícia de trânsito ainda avalia se houve tentativa de frenagem, mas, até o momento, todos os indícios apontam para condução imprudente.
Tentativa de resgate
Quando as equipes de socorro chegaram, encontraram Maicon inconsciente e politraumatizado: fratura exposta, lesões extensas na perna esquerda, traumatismo cranioencefálico e suspeita de hemorragia interna. Ele foi imobilizado e transferido com prioridade máxima ao Hospital Azambuja, onde recebeu atendimento emergencial. Apesar dos esforços da equipe médica, o jovem não resistiu e teve o óbito confirmado pouco depois da meia‑noite.
Conduta do motorista
O motorista do Golf recusou‑se a realizar o teste do bafômetro, mas foi detido em flagrante pelos policiais militares com base nos sinais de embriaguez: odor etílico, fala pastosa, olhos avermelhados e dificuldade de equilíbrio. Levado à Delegacia de Polícia Civil, ele deve responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor com agravante de alcoolemia — crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão, além da suspensão da carteira de habilitação.
Repercussão e despedida
A morte de Maicon provocou comoção entre amigos e familiares, que inundaram as redes sociais com homenagens. Filho mais velho de uma família originária de Rondônia, ele trabalhava em uma empresa têxtil local e era descrito como “dedicado e sempre disposto a ajudar”. Por desejo da família, o corpo será trasladado para Ariquemes (RO), onde ocorrerão velório e sepultamento em data ainda a ser confirmada.
Debate sobre segurança
O secretário municipal de Trânsito, Carlos Scheffer, lamentou a perda e destacou que a combinação de álcool, velocidade e direção continua sendo “a principal causa evitável de mortes nas vias urbanas”. Dados da secretaria apontam que, somente em 2024, 28 % dos acidentes com vítimas fatais em Brusque envolveram motoristas alcoolizados. A prefeitura promete intensificar as blitze da Lei Seca e reforçar campanhas educativas, sobretudo nos fins de semana.
Responsabilidade coletiva
Organizações civis, como o Movimento Maio Amarelo, aproveitaram a tragédia para reiterar apelos por responsabilidade. “Cada escolha ao volante tem consequências; precisamos transformar luto em mudança de comportamento”, afirmou a coordenadora regional, Débora Müller. Enquanto a família de Maicon enfrenta a dor da perda, autoridades reforçam que denúncias de direção sob efeito de álcool podem ser feitas anonimamente pelo 190 ou pelo Disque‑Denúncia 181, na esperança de evitar que novas vidas se percam nas ruas de Brusque.
