Na manhã de 18 de maio, a Praça de São Pedro, no Vaticano, transformou‑se num imenso mosaico de bandeiras, cantos e preces para acolher a solene Missa de início de pontificado de Leão XIV. Debaixo de um céu límpido típico da primavera romana, dezenas de milhares de peregrinos — vindos de todos os continentes — formaram um mar multicolorido que se estendia desde a colunata de Bernini até as avenidas adjacentes. Entre os presentes, destacavam‑se delegações ecumênicas, chefes de Estado, líderes de outras religiões e representantes de organismos internacionais, simbolizando a atenção mundial que acompanha cada transição na Sé de Pedro.

Logo no início da liturgia, o novo Bispo de Roma deixou claro o tom que deseja imprimir ao seu ministério. Ao proclamar com voz serena que recebera a cátedra “sem qualquer mérito pessoal”, Leão XIV assumiu diante de todos uma postura de radical humildade — eco que lembra o “Poverello” de Assis e o recente pontificado de Francisco. Essa tônica perpassou toda a homilia: em vez de discursos protocolares, o Papa preferiu dirigir‑se ao coração dos fiéis, pedindo‑lhes que “experimentem o amor de Deus como força transformadora” e que se tornem “artífices de alegria num mundo fatigado pelo medo”.
O pontífice não evitou temas espinhosos. Enumerou, com franqueza, os grandes desafios que pretende enfrentar: o preconceito que fere a dignidade humana, a violência que fragmenta famílias e nações, e a exclusão social que relega milhões à invisibilidade. Em palavras carregadas de compaixão, mencionou três focos de conflito atuais — Gaza, Mianmar e Ucrânia — suplicando que cessem as hostilidades e que a comunidade internacional reforce os caminhos da diplomacia, da justiça e da solidariedade. A assembleia, comovida, respondeu com aplausos longos e espontâneos, sinalizando sintonia com a agenda de paz proposta pelo novo sucessor de Pedro.

Ao falar de sua visão para a Igreja, Leão XIV pediu que cada batizado se comprometa com uma comunidade “mais unida, mais sinodal e mais fraterna”. Reiterou que a comunhão e a partilha devem anteceder qualquer estratégia pastoral, advertindo que estruturas só têm sentido quando se convertem em pontes que aproximam. Citou, com gratidão, “inúmeros missionários anônimos” que, longe dos holofotes, tecem diariamente redes de cuidado com os pobres, os refugiados e as vítimas de desastres climáticos.
Nos ritos finais, pouco antes da bênção apostólica, o Papa fez questão de evocar a memória de seu antecessor. “Durante toda a celebração — confessou com a voz embargada — senti forte a presença espiritual do Papa Francisco, que do céu continua a velar pela Igreja de Cristo.” A referência despertou emoção visível entre os cardeais do colégio que o elegeu e entre os fiéis que ainda guardam frescas as recordações do pontífice argentino.
Leão XIV concluiu saudando especialmente os participantes do Jubileu das Irmandades, agradecendo‑lhes por manterem vivo “o grande tesouro da piedade popular” que, segundo ele, “é o pulmão que ajuda o Povo de Deus a respirar esperança”. A celebração terminou com o canto do Regina Caeli, enquanto sinos repicavam festivamente, anunciando ao mundo que um novo capítulo da milenar história da Igreja acaba de começar — um capítulo que Leão XIV deseja escrever com tinta de humildade, coragem profética e alegria contagiante.
